Cada vez que vou ao Rio, levo uma listinha de lugares para visitar. Na última viagem que fiz para lá, decidi conhecer a Quinta da Boa Vista, residência da família imperial no passado e hoje Museu Nacional.
Como estava hospedado na casa de um amigo, que, apesar de morar no Rio, nunca tinha ido ao local, combinamos de ir juntos. Reservamos uma manhã para o passeio: queríamos entrar em cada ambiente, ver de perto móveis, objetos, roupas e fotos da família real.
Imaginar todos aqueles personagens estudados nas aulas de história circulando pela imponente construção no bairro de São Cristóvão.Lá fomos nós. Atravessamos a cidade: da Barra da Tijuca, na zona oeste, até a zona norte.
Uns 40 minutos, com trânsito fluido. Pelas ruas do bairro já dá para avistar o palácio, no alto de uma colina. Estacionamos e subimos em direção à entrada. Nada de guias, folhetos. A fachada, em manutenção, estava escondida por tapumes.
Tudo bem, a foto vai ficar prejudicada, mas lá dentro deve ter muito para ver, comentamos. Compramos os ingressos na bilheteria, que fica no saguão do palácio e onde não vimos nada que lembrasse a corte. Só um grande meteorito.
Bom, mas estávamos só na entrada, pensei. Fomos ao salão da direita, mais pedras espaciais e cartazes com explicações sobre elas. No da esquerda, outros materiais arqueológicos. Deve estar tudo no andar de cima, disse eu.
Passamos por um pátio interno, subimos as escadarias e, entrando no salão, encontramos mais arqueologia, esqueletos de dinossauros, múmias, peças de artesanato.Na sala do trono, em que dom João VI recebia os súditos para o beija-mão, armários com vestimentas indígenas e uma exposição sobre a filha do sanitarista Adolfo Lutz. Não era possível! Como assim? Onde está o passado, me perguntei.
A um funcionário do museu, questionei: "Como passamos para o outro lado, as outras peças do palácio?". A área de visitação é essa, respondeu ele, para minha decepção. Saímos na mesma hora.
Demos uma rápida volta pelo jardim um tanto abandonado. Tiramos duas fotos com o palácio ao fundo, mascarado por aquelas horríveis redes e andaimes e fomos embora, incrédulos.Nenhum vestígio da história da família real e, justamente, no ano do bicentenário da chegada dos Bragança ao Brasil.
Na volta a Porto Alegre, dias depois, peguei para ler o livro 1808, do jornalista Laurentino Gomes, sobre a vinda da corte portuguesa para o país. Logo na abertura, olhem o que leio:"(...) este é um dos museus mais estranhos do Brasil. Seu acervo reúne, além do meteorito (encontrado em 1784, no sertão baiano), aves e animais empalhados e vestimentas de tribos indígenas abrigadas em caixas de vidro que lembram vitrinas de lojas das cidades do interior.(...) Ali (no Palácio de São Cristóvão) viveu e reinou o único soberano a colocar os pés em terras americanas em quatro séculos. (...) Nenhuma placa indica onde eram os dormitórios, a cozinha, as cavalariças e as demais dependências usadas pela família real. É como se nesse local, a História tivesse sido apagada de propósito.
"Por que não comecei a leitura uns dias antes?!
Este texto foi publicano na coluna "Histórias de Viagem", do Caderno Viagem, do jornal Zero Hora
sábado, 12 de julho de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
que decepcao mesmo ne amigo!!!!!!!!!!!!!
Hahahhahahahahhahaha
pelo menos tu tem uma fotinho na frente de algum oproncipe ou rei ou sei la o que que tem aquela estatua la :P
Postar um comentário