domingo, 15 de junho de 2008

Histórias de Viagem

Foz do Iguaçu, segunda-feira, 21 de abril, 15h. Minha prima e eu deixamos o hostel em que nos hospedamos no feriadão com destino à rodoviária da cidade onde, às 16h15, embarcaríamos para Cascavel e, de lá, para Porto Alegre, às 20h.

Reparem que resolvemos sair do hostel mais de uma hora antes do horário do ônibus para evitar qualquer imprevisto. Afinal, tínhamos que estar em Porto Alegre no dia seguinte de qualquer maneira: ela para estudar, e eu para trabalhar.

Chegamos à rodoviária de Foz do Iguaçu por volta das 15h30, com toda a tranqüilidade. Às 16h30, com atraso de 15 minutos, o ônibus, de uma empresa diferente da que faria o trecho Cascavel-Porto Alegre, partiu.

No embarque, expliquei ao motorista que precisávamos chegar a Cascavel antes das 20h e perguntei se daria tempo (apenas um desencargo de consciência, pois, no dia 19, quando fizemos a viagem Porto Alegre-Cascavel-Foz do Iguaçu, levamos duas horas de Cascavel a Foz do Iguaçu).

Gelei quando ele me disse que a estrada estava movimentada e que demoraríamos umas três horas para chegar a Cascavel. E teria congelado se ele tivesse me dito o que minha prima e eu descobriríamos só depois: o ônibus era pinga-pinga!

Eu não agüentava mais parar em rodoviárias, esperar passageiros desembarcarem e pegar as malas ou guardarem as malas e embarcar. Fora as tranqueiras por causa de uma série de acidentes e de duas praças de pedágio.

Minha ansiedade era tanta que devorei um pacote de balas inteirinho... Quando eram 19h45 e vi que ainda faltava pelo menos uma meia-hora para chegarmos a Cascavel, liguei para a empresa de transporte. Respirei mais aliviado quando me informaram que havia um ônibus-extra para Porto Alegre às 20h15 e que poderíamos voltar nele!

Grudei os olhos no relógio... Tinha esperanças, porque, a estimativa era desembarcarmos em Cascavel em torno de 20h15, e, se o ônibus para Porto Alegre atrasasse uns 15 minutos para sair, conseguiríamos embarcar. Ledo engano...

Mais congestionamentos, e 20h45 quando nosso ônibus estacionou na rodoviária de Cascavel. Bom, combinei com minha prima que ela desceria correndo e veria se, por algum milagre, o ônibus para Porto Alegre ainda estava lá, enquanto eu pegava as bagagens.

- Saiu faz uns dez minutos, disse ela... Mas tem um, de outra empresa, que sai às 21h, só que está na garagem e temos que pegar um táxi até lá! – Tudo bem, gritei eu!!!

Corremos até o guichê e compramos os bilhetes. Pegamos o táxi e não é que, dois minutos depois, na saída da rodoviária para a avenida o motorista bate o carro numa caminhonete do Exército?!?

Minha prima e eu nos olhamos e não acreditamos que aquilo estava acontecendo! – Moço, sentimos muito, mas estamos atrasados, foi só o que deu para falar e pulamos do táxi com as malas, saímos correndo e entramos em outro veículo.

A essa altura, já estávamos morrendo de tanto rir. Era tão trágico que estava engraçado... Paramos com o táxi no portão da garagem da empresa, o ônibus só esperava pela gente. Os passageiros lá dentro, não muito satisfeitos. Entramos sem olhar para ninguém, fomos direto para nossos lugares e chegamos sãos e salvos, a tempo em Porto Alegre, na manhã seguinte. Coisas de viajantes!!!

Este texto foi publicado na coluna Histórias de Viagem, do jornal Zero Hora